terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Investigada, Odebrecht mira novos negócios no exterio

Investigada, Odebrecht mira novos negócios no exterior

À Lava-Jato, empresa diz ter projetos nos EUA e na América Latina. No Peru, onde está impedida de tocar obras públicas, foco agora é  iniciativa privada

Investigada por pagamento de propina em oito países e impedida pelos governos do Peru e do Panamá de participar de licitações, a Odebrecht está buscando novos negócios no exterior. Em documento enviado à Justiça Federal no Paraná, o diretor de Recursos Humanos da Odebrecht, Enio Ribeiro Andrade, informa que a empresa “tem planos de internacionalização na prestação de serviços de engenharia leve para clientes privados nos países da América Latina e América do Norte”.
O plano de ação da Odebrecht, diz Enio Ribeiro, adotou como objetivo estratégico a prospecção de “oportunidades de negócios privados” em países onde a empresa já tem histórico de atuação. Para coordenar essa atividade, a Odebrecht designou seu executivo Rodrigo Costa Melo, diretor de Realizações Imobiliárias, investigado pela Polícia Federal nos esquemas de pagamentos de propinas.
Enio Ribeiro pediu à Justiça Federal para restituir o passaporte de Rodrigo Costa e permitir que ele viaje ao Peru este mês para as primeiras conversas com representantes do mercado imobiliário local. Foi nesse pedido que ele descreveu os novos projetos. A Justiça liberou o passaporte, desde que não houvesse oposição do Ministério Público Federal.
Também no processo, os advogados de Rodrigo Costa Melo revelam que a Odebrecht está prospectando no Peru a viabilidade de empreendimentos imobiliários privados na região metropolitana de Lima, nos bairros de Miraflores, Tumbe e Maca. Entre os projetos está a construção de casas e de um empreendimento multiuso, que agregará um shopping center, uma torre comercial e um hotel.
 
 
               FORÇA LOGÍSTICA A FORÇA DO BRAZIL

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Economistas ouvidos pelo BC reduzem previsão para inflação de 2016 e de 2017


 QUE ECONOMIA DO BRASIL
  1. Relatório Focus manteve a previsão de queda de 3,49% da economia em 2016 e de alta de 0,5% em 2017; boletim é divulgado semanalmente com estimativas do mercado.
Economistas do mercado financeiro ouvidos pelo Banco Central reduziram a estimativa para a inflação de 2016 e de 2017, de acordo com informações do Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (9).
Segundo o relatório, realizado semanalmente, o mercado prevê uma inflação de 6,35% para 2016 e de 4,81% para 2017. No boletim divulgado na semana passada, a inflação prevista para 2016 era de 6,38% e para 2017 de 4,87%. A previsão mantém o índice de inflação para este ano próximo ao centro oficial da meta, que é de 4,5%.
A meta do Banco Central para a inflação deste ano é de 4,5%, mas há um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima e para baixo. Assim, a inflação pode oscilar de 2,5% a 6,5% sem que a meta seja descumprida. No ano passado, a inflação ultrapassou esse intervalo e fechou o ano em 10,67% - a maior desde 2002.
Para o Produto Interno Bruto (PIB) os analistas mantiveram suas previsões de queda 3,49% na atividade econômica em 2016 e de crescimento de 0,5% para 2017.

Taxa de juros

Apesar de prever uma inflação em 2017 menor do que a estimada na semana anterior, os economistas ouvidos Banco Central mantiveram inalterada a previsão para a taxa básica de juros, a Selic, em 10,25% no fechamento de 2017. Reforçando a expectativa de que o BC continuará o processo de corte de juros no ano que vem. Atualmente a Selic está em 13,75%.
A taxa básica de juros é o principal instrumento do Banco Central para conter pressões inflacionárias. Taxas mais altas tendem a reduzir o consumo e o crédito, o que pode contribuir para o controle dos preços.
O Comitê de Política Monetária (Copom), responsável por determinar a Selic, se reúne esta semana. A nova taxa será divulgada na quarta-feira (11).

Câmbio, balança e investimentos

No relatório Focus divulgado nesta segunda-feira, a projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fechamento de 2017 caiu mais uma vez de R$ 3,48 para R$ 3,45.
A projeção para o superávit (exportações maiores que importações) da balança comercial em 2017 caiu de US$ 46,98 bilhões para US$ 46 bilhões.
Para 2016, a projeção de entrada de investimento estrangeiro direto no Brasil subiu de US$ 69 bilhões para US$ 69,5 bilhões e, para este ano, ficou inalterada em US$ 70 bilhões, pela oitava semana consecutiva.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

O QUE ACONTECEU COM O PORTA-AVIÕES DO BRASIL?


O QUE ACONTECEU COM O PORTA-AVIÕES DO BRASIL?

Precisando de reparos e sistemas modernizados, NAe São Paulo, o quinto maior navio desse tipo no mundo, não navega desde 2014

O porta-aviões é o que se pode chamar de arma majestosa. São navios enormes que carregam aeronaves com diferente funções e capazes de impedir um ataque hostil, ou então realizar uma missões de ataque em qualquer ponto do planeta. Não fosse por esse tipo de embarcação, os Estados Unidos com sua poderosa marinha, talvez não teriam tanto poder e influência no mundo, seja econômico ou militar. Em outras palavras, é um instrumento de dissuasão com alto poder de convencimento.
O Brasil é o único país na América Latina e um dos poucos no mundo que possuem um porta-aviões, o NAe São Paulo – apenas outras sete nações possuem esse tipo de embarcação. Quinto maior navio-aeródromo já construído, o navio da Marinha do Brasil possui duas pistas com catapultas de lançamento e pode navegar transportando dezenas de aeronaves. No entanto, o São Paulo não navega desde 2014.
“Atualmente, o navio passa por uma série de inspeções e avaliações para ter o seu sistema de propulsão modernizado. Recentemente, foi concluída a inspeção estrutural em todo o casco, para se avaliar a possibilidade de realização das obras previstas e reavaliação do prognóstico de vida útil. Os elementos estruturais do navio encontram-se em ótimo estado de conservação, necessitando pequenos reparos”, explicou o contra-almirante Flávio Augusto de Rocha Viana, que também é diretor de comunicação da Marinha do Brasil (MB), ao Airway.
“A próxima fase é de delineamento e orçamento das obras da modernização, com a elaboração de projetos básicos, especificações para licitações, levantamento de empresas, e etc”, acrescentou o Viana.
O NAe São Paulo é o quinto maior porta-aviões já construído na história, com 266 metros de comprimento (MB)
O NAe São Paulo é o quinto maior porta-aviões do mundo, com 266 metros de comprimento (MB)
Capacidade de combate do NAe São Paulo
Com explicou a Marinha, as funções do porta-aviões São Paulo são as seguintes: controlar uma área marítima, negar uso do mar ao inimigo e projetar poder sobre terra. A embarcação pode transportar 40 aeronaves, entre aviões de asa fixa e helicópteros, como o caça A-4 Skyhawk e o helicóptero anti-submarino Sea Hawk.
“O navio é capaz de transportar e operar todos os modelos de aeronaves da MB, bem como praticamente todos os tipos atuais de aeronaves projetadas para operação em navios”, contou o contra-almirante.
De acordo MB, o São Paulo pode navegar por uma distância de até 18.000 km. Ou seja, é capaz de cobrir todo o litoral brasileiro, com cerca de 8.500 km de norte a sul, até duas vezes. A embarcação ainda pode ser reabastecida no mar, com apoio de navios-tanque, o que torna seu raio de alcance praticamente ilimitado. Já a tripulação é composta por 1.500 profissionais e o barco ainda possui espaço para receber mais 800 pessoas.
Caça A-4 Skyhawk freia ao engatar seu gancho nos cabos pelo convés de voo do NAe São Paulo (MB)

O porta-aviões brasileiro também está entre os mais rápidos do mundo. Pode alcançar a velocidade máxima de 32 nós (55 km/h). A propulsão vem de um conjunto de caldeiras e 12 turbinas a vapor que geram cerca de 126.000 cavalos de potência, responsáveis por deslocar as mais de 33 mil toneladas da maior embarcação militar do hemisfério sul, com 266 metros de comprimento.
Em caso de guerra, o porta-aviões é uma arma de valor imensurável. Por isso, nessas situações eles nunca navegam sozinhos. “Um porta-aviões, quando se faz ao mar, é sempre a unidade de maior valor presente na esquadra. Assim, necessita ser acompanhado por uma força de escoltas diversificada e variada, de forma que lhe seja proporcionado um ambiente seguro para o desenvolvimento de suas ações. Essa força de escolta será composta, basicamente, por fragatas e corvetas, com capacidade de defesa contra navios de superfície e, especialmente, defesa contra submarinos, que representam a principal ameaça a um porta-aviões”, explica Viana.
Helicóptero HB-350B Esquilo da Marinha operando a partir do São Paulo (MB)
Helicóptero HB-350B Esquilo da Marinha operando a partir do São Paulo (MB)
A frota de apoio ao porta-aviões da Marinha ainda pode incluir navios de apoio logístico, embarcações de transporte de tropas e submarinos, dependendo da duração e do tipo de missão que a esquadra deverá cumprir.
Mar de problemas
A trajetória do maior navio que já foi operado no Brasil é repleta de problemas e marcada por acidentes, alguns com consequências fatais – quatro pessoas já morreram a bordo do NAe. A embarcação chegou ao país no ano 2000, adquirida da França por cerca de US$ 12 milhões, na intenção de substituir o NAe Minas Gerais, o primeiro porta-aviões da marinha brasileira, operado entre 1960 e 2002.
O NAe São Paulo nasceu com o nome “FS Foch”. A embarcação foi construída na França entre 1957 e 1960, e chegou a participar de missões de combate real na África, Oriente Médio e Europa, até ser descomissionada da marinha francesa (Marine Nationale) e substituído pelo FS Charles de Gaulle, de propulsão nuclear, no ano 2000.
NAe São Paulo quando ainda era o "FS Foch", navegando com a marinha da França (Domínio Público)
NAe São Paulo quando ainda era o “FS Foch”, navegando a serviço da França (Domínio Público)
Para voltar a navegar, o São Paulo precisa de uma renovação completa do sistema de propulsão. A Marinha ainda estuda modernizar o sistema da catapulta de lançamento de aeronaves, assim como os sistemas de busca e navegação da embarcação militar. O programa de atualização previsto para o NAe São Paulo deve ser concluído em 2019 e pode aumentar a vida útil do navio em mais 20 anos.
“A principal obra de modernização refere-se à substituição do sistema de propulsão do navio, com a retirada da planta a vapor, com suas caldeiras, condensadores e turbinas originais, e instalação de geradores e motores elétricos, semelhantes aos empregados nos grandes navios mercantes modernos. Obviamente, de forma que o navio acompanhe os avanços tecnológicos e mantenha-se atualizado, por toda sua vida útil, obras complementares de modernização das catapultas, dos sensores e de outros sistemas e equipamentos estão sendo estudadas”, revelou o diretor de comunicação da MB.
Desde que chegou ao Brasil, o porta-aviões São Paulo passou mais tempo parado na base da MB, na Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro, do que navegando. Em 2005, a embarcação foi estacionada para uma série de reparos e voltou ao mar somente em 2011. No entanto, parou novamente em 2014.
NAe São Paulo parado na Ilha das Cobras, de onde não saiu desde 2014 (Thiago Vinholes)
NAe São Paulo parado na Ilha das Cobras, de onde não saiu desde 2014 (Thiago Vinholes)
A vida útil dos caças A-4 também é outro problema. Os modelos da série AF-1, modernizada pela Embraer, devem voar somente até a metade da próxima década. Quando esse dia chegar, as aeronaves terão de ser desativadas. Para ocupar essa lacuna, o comando da MB estuda adotar uma versão naval do caça Saab Gripen NG, ainda em fase de estudo.
O porta-aviões São Paulo foi um antigo sonho da Marinha, justamente para poder operar aeronaves de asas rotativas – a operação de aeronaves da asa fixa no Minas Gerais era realizada exclusivamente pela Força Aérea Brasileira (FAB).
Os caças A-4 da Marinha devem parar de voar na próxima década (MB)
Os caças A-4 da Marinha devem parar de voar na próxima década (MB)
“Para o Brasil, em especial, cuja área marítima de responsabilidade e onde exerce sua soberania e direitos econômicos possui aproximadamente 4,5 milhões de quilômetros quadrados, com riquezas conhecidas e desconhecidas inestimáveis, a importância desse tipo de navio é ainda maior. A preocupação em assegurar a sua proteção e defesa, não é só uma necessidade, mas um dever da Marinha”, completou o contra-almirante da MB.
Mas, para isso, o NAe São Paulo precisa voltar ao mar.

As 20 marcas mais consumidas em todo o mundo, segundo a Kantar Worldpanel

As 20 marcas mais consumidas em todo o mundo, segundo a Kantar Worldpanel© KInfoMoney (Kevin Lamarque/Reuters)evin Lamarque/Reuters InfoMoney
SÃO PAULO – Pela quarta edição seguida do levantamento anual Brand Footprint, feito pela companhia Kantar Worldpanel e que aponta quais são as marcas mais consumidas no mundo, a Coca-Cola ocupa o primeiro lugar do ranking.
O estudo se baseia no número de casas em todo o mundo que estão comprando determinadas marcas e na frequência que a compram; essa métrica recebe o nome de "alcanlce do consumidor", já que aponta em quantas casas a marca está presentel.
Com esses dados é possível descobrir gostos e preferências locais, tendências de consumo, o comportamento dos consumidores e como isso se manifesta. Assim, cada marca recebe uma pontuação para o alcance do consumidor, que é medido em milhões.
Para elaborar esta edição do ranking, os dados foram coletados entre o dia 12 de outubro de 2017 e 11 de outubro de 2015. No total, foram analisadas 300 bilhões de decisões de compras de cerca de 74% da população mundial; também inclui 15 mil marcas em 44 países.
Confira, abaixo, quais são as marcas do ranking:
Classificação Marca Fabricante Alcance 
1Coca-Cola Coca-Cola Company 6,284
2Colgate Colgate-Palmolive4,251
3Lifebuoy Unilever2,585
4MaggiNestlé2,412
5Lay'sPepsiCo2,164
6PepsiPepsio2,164
7NescaféNestlé2,047
8Indomie Indofood 1,898
9Knorr Unilever1,859
10DoveUnilever1,674
11SunsilkUnilever1,584
12LuxUnilever1,529
13DownyP&G1,432
14Sunlight Unilever1,417
15NestléNestlé1,386
16TideP&G
20SpriteCoca-Cola Company 1,050
FORÇA LOGÍSTICA A FORÇA DO BRASIL

Governo libera R$ 1,2 bi para construir presídios e modernizar sistema penal Acusados de matar ambulante são transferidos em SP Acusados de matar ambulante são transferidos em SP

Governo libera R$ 1,2 bi para construir presídios e modernizar sistema penal


presos© Arquivo/Agência Brasil presos
O governo federal vai liberar R$ 1,2 bilhão do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) para investimentos na construção de presídios e modernizações do sistema penal. O repasse será feito aos estados nesta quinta-feira (29) e representa, de acordo com o porta-voz da Presidência, Alexandre Parola, o "maior investimento jamais realizado no sistema penitenciário no Brasil".
O anúncio dos recursos foi possível, segundo o governo, depois que o presidente Michel Temer editou a Medida Provisória (MP) 755 na semana passada, permitindo a transferência direta de recursos do Funpen aos fundos estaduais e do Distrito Federal. Alexandre Parola informou que esta será a primeira liberação das verbas, após a edição da MP. Segundo ele, R$ 799 milhões serão destinados à construção de penitenciárias. O porta-voz destacou que o objetivo é diminuir a superlotação dos presídios.
Outros R$ 321 milhões serão utilizados em projetos de cidadania e na qualificação dos serviços penais. "Nessa categoria, contempla-se ainda a aquisição de novos equipamentos, como por exemplo os scanners que substituirão as revistas físicas das pessoas que visitam os presos", afirmou Parola a jornalistas, no Palácio do Planalto.
De acordo com o porta-voz, a autorização de Temer para os repasses permite a aceleração dos investimentos em uma área com "carência histórica". "A liberação desses recursos deve permitir que se coloquem em marcha o mais brevemente possível as medidas e os investimentos não somente para modernizar, mas também para humanizar as condições do sistema prisional em nosso país", disse.
Ao editar a MP 755 – que já tem força de lei, mas precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional –, o governo colocou como justificativas a urgência de se liberar os recursos do Funpen, que antes ficavam presos por causa da burocracia, para a superação de um déficit de mais de 249 mil vagas no sistema carcerário brasileiro.
 Agência Brasil Agência Brasil

Prefeitos e governadores fecham 2016 perto de colapso fiscal

Prefeitos e governadores fecham 2016 perto de colapso fiscal






O presidente Temer após pronunciamento no Planalto.
© ANDRESSA ANHOLETE O presidente Temer após pronunciamento no Planalto.

A última semana de 2016 termina com um cenário pouco animador para os prefeitos e governadores brasileiros. Representantes dos municípios estiveram nesta quinta-feira em Brasília com o pires nas mãos pedindo que o Governo Michel Temer liberasse os 5 bilhões de reais provenientes da repatriação de recursos ainda este ano. O objetivo deles era que o valor fosse usado para fecharem as contas de dezembro, inclusive, em alguns casos, para quitar a folha salarial. Ouviram do presidente que ele não teria como descumprir uma recomendação do Tribunal de Contas da União e, portanto, não liberaria esses valores agora. Só poderia fazê-lo em janeiro.
A negativa do chefe do Executivo contribui para o seguinte resultado: quase a metade dos prefeitos (47,3%) deixará dívidas para os seus sucessores que tomam posse no próximo domingo. Os dados constam de um levantamento feito pela Confederação Nacional dos Municípios, uma entidade que congrega os prefeitos das 5.568 cidades brasileiras. O colapso fiscal nas prefeituras implicará em uma série de cortes de gastos, redução de secretarias municipais, assim como de funcionários terceirizados. Tudo isso dentro de um cenário em que a recuperação econômica não será tão rápida, após quase dois anos de recessão. O próprio presidente disse, nesta quinta-feira, que a melhora nas finanças deverá acontecer a partir do segundo semestre de 2017.
No caso dos governadores houve um jogo duplo pela parte deles. Em um primeiro momento, concordaram com todas as exigências rígidas da gestão Temer entre meados de junho e o fim de novembro para que tivesses suas dívidas negociadas. Depois tentaram e conseguiram usar de sua influência no Congresso Nacional, em dezembro, para retirar todas as contrapartidas das negociações da dívida que têm com a União. Entre elas, a obrigação de reduzir em 10% o número de comissionados, suspender concursos públicos e contratações, além de congelar os gastos públicos por dez anos em todas as 27 unidades da federação que aderissem ao programa de renegociação. Até conseguiram suspende essas medidas previstas no Regime de Recuperação Fiscal, mas Temer vetou a maior parte delas.
“A recuperação fiscal, da forma como veio ao Executivo, tornou-se mais ou menos inútil. Se não houver contrapartida, quando você entrega o dinheiro para o Estado, aquilo servirá para uma emergência, mas não para preparar o futuro”, afirmou o presidente em seu pronunciamento de fim de ano aos jornalistas.
No veto assinado pelo presidente e publicado no Diário Oficial da União de quarta-feira, Temer alegou que “houve um completo desvirtuamento do Regime, não sendo possível mais assegurar que sua finalidade maior, a retomada do equilíbrio fiscal pelos estados, seja assegurada”. Seguiu o presidente: “Não apenas a finalidade precípua do Regime foi alterada; em verdade, os dispositivos remanescentes trazem elevado risco fiscal para União”.
Com a decisão de fechar essa porta aos Estados, o Governo disse que ainda não encerrará as discussões. Prometeu que voltará a negociar com cada governador para tentar encontrar uma saída para a crise que atinge quase todas as unidades da federação.
Em um primeiro momento, os Estados que mais seriam beneficiados com essa ajuda, desuspensão do pagamento das dívidas temporariamente, seriam os três que decretaram estado de calamidade financeira – Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. São os Estados em que a relação Dívida Consolidada/Receita Corrente é mais preocupante. Em média, cada um deles tem 2% de sua receita comprometida com as dívidas com a União. Juntos, eles devem 225 bilhões de reais – quase 40% dos débitos de todos os Estados, que é de 591 bilhões. Apenas para efeito de comparação, é mais do que o dobro do que o governo federal prevê gastar no ano que vem com suas empresas públicas, entre elas Petrobras, Banco do Brasil, Eletrobrás e Caixa Econômica.
No médio prazo, contudo Estados como São Paulo, Goiás, Alagoas, Acre e Mato Grosso do Sul também deveriam aproveitar dos benefícios. Agora, o jogo volta praticamente à estaca zero, destacou uma fonte do Palácio do Planalto. As próximas semanas, antes do retorno do recesso legislativo será de muita negociação para encontrar uma fórmula que agrade tanto aos Estados e, do ponto de vista fiscal, não comprometa tanto a União.

Mais reformas em 2017

Com um Legislativo alinhado com seus projetos de austeridade, Temer quer aproveitar para em 2017 emplacar novas medidas duras. Neste ano, conseguiu aprovar a PEC do Teto de Gastos, que congela as despesas públicas federais pelas próximas duas décadas, e deu andamento às reformas da Previdência e Trabalhista.
A primeira, foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. A segunda, foi debatida com empresariado e sindicatos de trabalhadores, mas ainda não tramitou. “A modernização trabalhista já está anunciada e remetida ao Congresso Nacional, sendo certo e tendo em vista o diálogo que houve entre centrais sindicais e empresários, penso que será de fácil tramitação no Congresso Nacional”, disse Temer.
Para o próximo ano, o presidente estabeleceu como meta apresentar uma Reforma Tributária, para simplificar o sistema de impostos do país, e outra para simplificar o sistema político. Esta, que deverá ser apresentada por parlamentares, mas terá o apoio do Planalto, de acordo com Temer. “Esse há de ser um Governo reformista”, afirmou o presidente.




Afonso Benites
FORÇA LOGÍSTICA A FORÇA DO BRASIL